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Comportamento » Ponto sem nó

Após marca ser acusada de fraude milionária, público questiona contrato com famosas e cobra posicionamento

Seguidor questionou sobre as obrigações fiscais dos contratos da Skazi com influenciadoras

Redação Publicado em 22/06/2021, às 18h15 - Atualizado às 19h32

A assessoria de Thassia Naves e Silvia Braz informou que as influenciadoras cumprem suas obrigações fiscais com seus clientes - Reprodução
A assessoria de Thassia Naves e Silvia Braz informou que as influenciadoras cumprem suas obrigações fiscais com seus clientes - Reprodução

A marca mineira Skazi se envolveu em um escândalo de sonegação fiscal. O Ministério Público de Minas Gerais, a Receita Estadual e Polícia Civil estão investigando empresários, diretores e funcionários da grife pela venda de mercadorias sem a emissão de nota fiscal ou subfaturamento. Na manhã desta terça-feira, dia 22, a polícia iniciou a operação “Ponto sem nó", que cumpre dezoito mandados de busca e apreensão aos responsáveis pela marca de luxo que há muitos anos tem como estrelas principais as influenciadoras  Silvia Braz e Thássia Naves.

Na página oficial da Skazi no Instagram, alguns seguidores questionaram se as famosas iriam se posicionar sobre o ocorrido. "Queria saber se as influencers vão se manifestar agora igual fazem propaganda para a marca! Esse é o BraZil!", escreveu Lorenna Cardoso que, em seguida, foi respondida por Silvia Neves: "Manifestar contra quem paga as viagens e luxos? Jamais".

Outro seguidor aproveitou para questionar sobre as questões fiscais dos contratos feitos com influenciadores. "Essas parcerias pagam seus impostos?", escreveu Hugo Camargo nos comentários de uma das publicações do Instagram da marca.

O Glow News entrou em contato com a assessoria de imprensa das influenciadoras citadas e solicitou um posicionamento delas sobre a Operação deflagrada pelo Ministério Público e também perguntamos sobre a emissão das Notas Fiscais delas com valores corretos para a prestação de serviços para a Skazi.  

“A assessoria de imprensa de Thássia Naves alega que a influenciadora nada tem a declarar sobre o ocorrido com a marca Skazi, e lamenta o episódio. Esclarece que todas as suas prestações de serviços com suas marcas parceiras estão dentro dos trâmites exigidos pela lei”.

“A assessoria de Silvia Braz esclarece ao Glow News que a comunicadora e empresária cumpre rigorosamente com todas as suas obrigações fiscais no trato com todos os seus clientes”.

A conta não fecha

Segundo Francisco Lara, auditor fiscal e coordenador da operação, a suspeita iniciou ao analisarem a receita da marca, que atualmente se encontra no regime tributário do Simples Nacional, que é destinado a micro e pequenas empresas, o que não é o caso da gigante Skazi. O Glow News foi atrás de algumas das pistas que podem ter ajudado a levantar suspeitas para Ministério Público de Minas Gerais, a Receita Estadual e Polícia Civil decirem iniciar a investigação. 

O primeiro ponto é que o regime Simples Nacional é voltado para pequenos empreendedores e tem como objetivo reduzir a burocracia e os custos de pequenos empresários, que têm empreendimentos ainda iniciantes e precisam de algumas facilidades. Para fazer parte desse regime, o principal definidor é o faturamento da empresa, estando inclusas as micro e pequenas empresas que faturam até R$360 mil por ano e as empresas de pequeno porte (EPP) com faturamento máximo de R$4,8 milhões. Além disso, algumas das outras condições são: não possuir outra empresa entre os sócios; caso os sócios possuam outras empresas, a soma do faturamento de todas elas não pode ultrapassar o limite de 4,8 milhões de faturamento; não possuir sócios que morem no exterior; não possuir débitos com a Receita Federal, Estadual, Municipal e/ou Previdência etc.

Além de ser muito conhecida, especialmente entre famosas. Pelo seu porte, a Skazi sempre apostou em desfiles de altíssimo nível e com direito a shows exclusivos. Em 2019, por exemplo, durante a 24ª edição do Minas Trend, a marca contratou a banda Jota Quest para tocar enquanto exibia seus 45 looks da coleção Primavera-Verão 2020. Já em 2018, também durante o festival Minas Trend e no aniversário de 25 anos da grife, a Skazi convidou Juliana Paes na passarela e Ludmilla para fazer um show. Quem também não ficou de fora foi a cantora Iza, que performou em 2018 no estádio Mineirão, contratado pela Skazi para sediar o desfile da coleção Outono-Inverno 2019, que contava com convidados como Karin Hils, Carol Nakamura, Naiara Azevedo, Alinne Rosa, Monique Alfradique, Aline Gotschalg e Pocah.

Apenas para contratar esses artistas, o valor é bem alto. Os cachês do Jota Quest, Ludmilla e Iza são, no mínimo, R$100 mil, R$150 mil e R$200 mil, respectivamente. Só com esses três shows, que aconteceram com um intervalo de cerca de um ano, a marca teria gasto cerca de 450 mil, o que representa, por exemplo, quase dez porcento do valor máximo de faturamento bruto anual que uma empresa de pequeno porte pode ter.
Além disso, para dialogar com a elite brasileira, a Skazi tem no seu time algumas das influenciadoras consideradas mais "caras" do país. O valor cobrado para publi posts de Thássia Naves e Silvia Braz, duas das principais parceiras da marca, custam em média 40 mil. Elas já apareceram inúmeras vezes com os looks da marca e são grandes aliadas na divulgação e até mesmo no sucesso da grife que também tem parceria com a atriz Mariana Rios e com a influenciadora mineira Juju Norremose.

Comentários feitos nas postagens da marca na rede social Instagram. Foto: Reprodução

O Glow News tem apurado com muito cuidado e atenção as diversas informações que tem recebido nas últimas horas. Estamos acompanhando o caso.

A Skazi e a AMC Têxtil ainda não se manifestaram oficialmente.

Veja a reportagem exibida no MG2 da TV Globo Minas.